Jovens Sem Fronteiras - Voluntariado Missionário Jovem

Desde os meus 15 anos que faço parte de um grupo de pessoas, jovens, ligados à Igreja Católica. É um daqueles grupos de jovens que gostam de cantar e que parecem ser por vezes demasiado alegres. Conheci este grupo quando ainda muito pequena andava nas aulas de Catequese na minha paróquia. Os jovens deste grupo, com o nome de “Jovens Sem Fronteiras” faziam – e a bem dizer ainda fazemos - sessões de esclarecimento em que mostravam, através de fotografias e apresentações, as suas actividades, os seus objectivos e ideais.
Alguns dos meus catequistas fizeram parte deste grupo na nossa paróquia, que é na verdade actualmente um grupo de dimensão internacional.

História do movimento JSF: (é curtinha, prometo...!)
A 13 de Maio de 1937, nasce em Fátima a Liga Intensificadora da Acção Missionária, um grupo de leigos de cariz missionário conhecido por LIAM, fundada pelos Missionários do Espírito Santo. Os retiros de jovens, “Cursos da Juventude Missionária” e “Cursos de formação” para jovens que a LIAM foi promovendo, geraram grupos de jovens que animavam as reuniões e actividades da Liga e que em 1983, a 31 de Janeiro, aderiram à ideia de formar um grupo de animação missionária que chamar-se-ia Jovens Sem Fronteiras (JSF). Impulsionador desta ideia era o Padre Firmino Cachada que na altura acabava de se envolver na animação missionária da juventude.
Rapidamente surgiram grupos por toda a região de Lisboa e muitos grupos de animação jovem que existiam aderiram ao nome de Jovens Sem Fronteiras através do convívio que os jovens têm nos retiros.
Também grupos de jovens nas Regiões de Braga e do Porto foram contagiados com esta “febre missionária” e assim foi-se formando um movimento missionário de jovens nacional.
Fora do país foram-se formando grupos de JSF: em França o Padre José Manuel Sabença lançou o movimento em Clamart na periferia de Paris; em Cabo Verde, S.Tomé e Príncipe e Angola, os grupos surgiram à medida que os JSF portugueses para essas terras partiam em “Pontes”, projectos de trabalho e animação missionários.

Actividades:
Os retiros são uma parte importante do movimento. Não só é através deles que se faz a formação dos jovens, dando-lhes a conhecer a história do movimento e uma melhor compreensão do seu cariz missionário, como também são um meio importante de convívio e partilha, onde os grupos comunicam entre si e os seus elementos “se misturam”.
Há retiros de movimento – normalmente de dimensão regional – e retiros de grupo, que permitem uma maior união dentro do grupo em si.
Há o Encontro Nacional, que como o nome já denuncia, envolve todos os Jovens Sem Fronteiras de Portugal e que é organizado – com um trabalho árduo e louvável das estruturas que coordenam os grupos – uma vez por ano, em regra no primeiro fim-de-semana de Outubro.
A nível paroquial os grupos organizam as suas actividades com grande liberdade, tendo no seu calendário de actividades eventos para além dos retiros, como recolhas de materiais (escolares e médico-farmacêuticos), sessões de esclarecimento e sensibilização que apresentamos na Catequese da Paróquia e também em escolas da zona, orações de dimensão regional (Oração do Colombo - mensal) e paroquial, e convívios vários, como as festas, chás, feiras, churrascos, etc...
É essencial alguma ginástica para evitar que o evento de um grupo, como uma festa, não coincida com as actividades de outros grupos da região cuja participação nos eventos e actividades uns dos outros é sempre alegre e largamente incentivada, mas ao longo do ano é raro o fim-de-semana que não fica preenchido.”
Em Portugal e durante o Verão, organizam-se as Semanas Missionárias. Cada grupo que participa parte para uma terra diferente, mas por vezes até vizinhas, onde fazem a animação das Eucaristias e participam na vida da comunidade, tendo ainda trabalho vocacionado especialmente para as crianças e idosos da paróquia. Estes grupos que partem são formados por jovens dos vários grupos a nível paroquial, ou seja, não é o grupo de Agualva que vai em peso, todo ele, para um outro local, mas sim um jovem deste grupo, com jovens de outros grupos de todos os cantos do país. A partilha gerada no seio desta missão dentro das nossas fronteiras, fortalece a relação entre os elementos de grupos diferentes.
Também no Verão, mais concretamente durante o mês de Agosto, um grupo de jovens, igualmente formado por jovens dos vários grupos paroquiais, parte em missão, no que chamamos “Pontes”. Estas têm lugar em países de língua oficial portuguesa, onde o grupo for necessário. São projectos de missão no exterior, vocacionados para o ensino das populações nas mais variadas àreas (Português; Matemática; Informática; Direitos Humanos, etc...) e também para os cuidados de saúde que estas possam precisar. Normalmente são elementos com mais anos de "caminhada" e que já amadureceram a ideia e abraçaram a vocação de partir. Mais uma vez, o convívio com a população local e a participação no seu quotidiano é uma das vertentes mais importantes. Partimos para estar com as pessoas. No essencial, resume-se às frases dos fundadores dos Missionários Espiritanos: "ser-se leve como uma pena", para "estar perto dos que estão longe, sem estar longe dos que estão perto".

Por vezes encontro pessoas que se espantam com o que os JSF fazem. A mim parece-me algo de tão natural que não me admiro com histórias de outras pessoas que decidem partir e dar-se a estranhos, para que nestes surja um sorriso.
À medida que os anos passam vejo como este espírito de solidariedade é necessário ao crescimento e ao desenvolvimento da personalidade das crianças e adultos. Na vida há mais que apenas usar as coisas; há mais que apenas acordar e trabalhar num escritório. Os humanos têm uma necessidade inerente de ajudar. Porque nos identificamos com os outros; porque vemos no sofrimento dos outros o nosso próprio pesar; porque inconscientemente sabemos no íntimo do nosso ser, que somos iguais, massa da mesma matéria, irmãos nesta vida que choram com as mesmas misérias, que riem com as mesmas alegrias.

Cumprimentos sol&dários...
"Faz-te ao largo"

artigo publicado em Domingo, 2 de Setembro de 2007 num outro blog;)

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