Por vezes ainda paro e me ponho a pensar: "Mas porque fui eu enviar aquele e-mail?!" E logo me lembro de todos aqueles meses a considerar se o deveria fazer ou não; daquela vozinha que sem motivo aparente me dizia persistentemente: "Vai! Parte!".
E à medida que os receios se tornaram cada vez mais pequenos face à força desta voz e à vontade de me pôr a mexer, comecei a me acalmar e a encarar com segurança e certeza a minha decisão e o futuro.
Afinal tinha passado os últimos oito anos a ouvir testemunhos de quem partia e voltava e por vezes tornava a partir, uma e outra vez. Claro que desde os seis anos ouvia falar dos Jovens Sem Fronteiras porque uma das minhas catequistas no 1º Volume fora a Anabela, Jovem Sem Fronteiras de Agualva na época. Mas só quando a nova Igreja (Santa Maria) foi construída e a catequese passou a ser dada nas suas inúmeras salas é que o nome e o trabalho se começaram a registar na minha mente.
Mesmo assim não tenho a certeza completa do motivo que leva alguém - que me leva a mim - a partir e a deixar família e amigos, ainda que por apenas um mês.
Pronto, parei alguns segundos para pensar no que já escrevi e dou-me conta da quantidade de clichés, ou em português, de sítios comuns que já registei aqui em tinta. E pergunto-me se haverá alguma razão para que os sentimentos dos que partem sejam tão homogéneos, tão semelhantes. Talvez seja apenas um produto da audição de tantos testemunhos partilhada por todos nós. Ou talvez seja o facto de a certa altura começarem a escassear os sinónimos para o que se sente e se pensa, de modo que deixa de ser possível escapar-se aos tais sítios comuns.
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